| Enviar esta foto por e-mail |
|
Para mim, uma das maiores obras brasileiras. Livro - Clarice Lispector. Filme: Suzana Amaral. A história de MACABÉA! A imigrante nordestina com o desejo incontido de conhecer o significado das palavras (a busca pela vida!): "datilógrafa, virgem e adora coca cola" - aliás, cachorro quente e coca cola - mesmo ganhando meio salário mínimo. O significado aqui é maior. A Coca Cola é o mundo poderoso e desconhecido, ao qual ela não tem a mínima possibilidade de acesso.
Ignorante e subnutrida sente um medo terrível das palavras que em seu meio não há como explicitar. Nem mesmo o "namorado" (o estupendo José Dumont) é capaz pois, imigrante como ela, veio de um mesmo mundo que não permite oportunidades reais para sobrevida. Só os sonhos irrealizáveis.
Marcélia Cartaxo - Prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim - é a MACABÉA "reencarnada" do livro. Impraticável pensar em outra atriz, em outra atuação depois dela.
Mas afinal, qual a maior angústia em ser MACABÉA? O vazio completo. O livro a ser escrito, mas impossível por suas páginas tão em branco. É a vontade de voar. É o desejo de decifrar o que está além do alcance de um mundo interno tão grande e tão desprotegido. É chorar por Una Furtiva Lacrima que ela mesma não pode entender.
O despertar ocorre ao ter contato com a cartomante (Fernanda Montenegro - precisa dizer mais?) que lhe abre uma expectativa de vida: encontrar um moço loiro, de olhos azuis... estrangeiro, que lhe pedirá em casamento - (a coca cola...) - e será este o seu trágico desfecho: o encontro com o impossível em sua vida. De vestido branco, novo, inadmissível ao seu salário, vai de encontro à morte, atropelada, sangue saindo pela boca (todas as suas palavras não ditas nem entendidas...) escorrendo em direção ao esgoto (por onde se vai o que restou, o que se despejou...).
O filme conta ainda com as atuações de Tamara Taxman e Denoy de Oliveira.
Apesar do filme não contar com toda a dramaticidade e introspecção contida no livro, especialmente através do “narrador” Rodrigo S.M (Clarice?), impossível é não se deixar intimidar por esta (seja ela quem for) personagem.
Coisa que só mesmo raríssimas SUZANAS e CLARICES conseguiram.
10/08/2004 Publicada por Ed
|
Filme comovente, recheado de humor e melancolia. Dos meus prediletos! lygianery@uol.com.br http://lygianery.nafoto.net/ ![]() O livro já é ótimo, e o filme não deixou por menos, pena que até no Cinema Nacional a memória e a 'consideração' para com certos artistas é largada ao esquecimento. Ótima dica. sheila.nayume@uol.com.br http://lady-godiva.nafoto.net ![]() Muito bem lembrado. Onde está Marcélia? Ao me deparar com a foto, tirou lágrimas. Soberbo. Valeu mesmo. Quem viu, viu. Obra prima. Parabéns pelo blog. Abraços pbof@uol.com.br ![]() Não da pra não comentar esse também... realmente uma obra prima de filme, e continuo dizendo: seu blog é adorável! Liege liegeabb@uol.com.br liegeabb.fotoblog.uol.com.br/ ![]() O filme "A hora da estrela" assim como o livro é fantástico. Um filme realmente fiel ao texto de Clarissa. Um ótimo trabalho de adaptação que só é comparado ao filme "o amante" adaptação do livro homônimo de Margherite Duras. Parabéns pelo blog...é ótimo paulo.vix@bol.com.br |








