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ERA UMA VEZ EM TÓQUIO - 1953

Para gostar de cinema é necessário “desacostumar” os olhos. Claro que todos temos nossas preferências ou melhor, um misto delas: comédias, dramas, ficção, ação... mas para quem se acostumou a assistir apenas os chamados “blockbusters” (nada contra, pois gosto também!), está constantemente envolvido pelas mesmas fórmulas, garantias de sucesso.

Cinema é também diversão, afinal. Mas ser só isso, claro, não basta. Voltar ao passado, por vezes, pode ser revelador para grandes surpresas ao (re)descobrir outros “apelos visuais”.

Yasujiro Ozu é um cineasta que merece atenção. Ele próprio, começou sua carreira, em 1929, dirigindo comédias ao “estilo hollywoodiano”. Mas após a 2ª Guerra, Ozu radicaliza na estética e passa a tratar de temas como a velhice e juventude, vida e morte e, especialmente, a tradição e modernidade, partindo do cotidiano de famílias japonesas. Em suma: Ozu fala sobre o tempo.

Era uma vez em Tóquio é, certamente, um de seus mais brilhantes trabalhos, referendados por cineastas tão díspares dele como Spielberg, que usou da “câmera baixa” um recurso para traduzir o ponto de vista da criança.

A câmera fixa e baixa é um dos recursos mais usados pelo cineasta, assim como os diálogos, muitas vezes, filmados com os atores de frente para a câmera, alternando um e outro em cortes secos. O seu modo de dirigir e filmar, dito assim, parece enfadonho, mas um engano. Os planos apurados e a narrativa simplificada, levam o espectador a literalmente mergulhar na história ou melhor, nela se reconhecer, já que a temática é universal.

Em Tôkyô Monogatari um casal de idosos viaja à cidade para visitar os filhos que não veem há anos, mas estes, extremamente atarefados não dispõem de tempo para os pais, dando-lhes pouca atenção. A viagem, é por assim dizer, um último re-encontro possível para o casal. Uma vez que não se pode parar o tempo, modificar sua relação com ele, pode ser o caminho, ainda que se possa “comprá-lo”, convertendo-o em trabalho, mas nunca em afeto.

O roteiro do diretor junto a Kôgo Noda traduz, na realidade, a reconstrução do Japão dentro do modelo capitalista com as gerações mais novas se distanciando das tradições e sucumbidas ao tempo, mesmo frente à morte.

O elenco conta com os dois atores preferidos do diretor, Chishu Ryu e Setsuko Hara além de Chieko Higashiyama, Sô Yamamura e Setsuko hara, dentre outros, em atuações sensíveis e espontâneas.

Se a princípio o filme causar “estranheza” no olhar, refine o mesmo, aproveite o “visual diferente” e se deixe levar por uma das melhores coisas que o cinema pode oferecer: a reflexão.







04/11/2009 Publicada por Ed


Ed amigo querido que lindo esse layout! Ameiii! Parabéns! Bjooooo

10/11/2009 16:25 Ana Raquel =]
anaraquelsp.fotoblog.uol.com.br






Caramba!!! Muito bom esse novo layout do blog, ficou mais bacana mesmo. Parabéns! abração, vm

10/11/2009 15:45 valmir
sobretudo.nafoto.net






Já tive os meus tempos de conservadorismos. Mas, hoje em dia, me fascina o novo, o belo, o instigante... A inovação ou renovação. Assim, esta sua sala de cinema está magistralmente linda. Parece ainda mais aconchegante e dentro do contexto. Aplausos de pé por este trabalho de inovação da Zina, parabéns a Vocês! E, cá pra nóóóóis, Você merece neste Blog muito do especial, adorei! Agora, por favor não vai me chamar de velho em minha plena juventude a desabrochar. Mas, este título do filme não me era desconhecido. Depois de ver o treiler me veio a memória de tê-lo assistido. E que bom, com a sua aula a chamar a atenção. Fico muito feliz pelas luzes, cores e ação! Um abração e tudo de bom na continuação desta Super sala de cinema. E olha que, justamente, estão nas cores do Kodak Theater de LA... Agora é só clicar no spotlight e o Oscar vai para...

09/11/2009 15:17 Volnei
http://vaconci.nafoto.net/






Nossa, chiquérrimo! eu não tenho tempo NENHUM p/ isto (faço biquinho...) Mas vc merecia uma page nova! Zina tá de parabéns. // Grata por seu comenta na crônica; não vale a pena detalhar a matéria portuguesa "abusada"; melhor curtir nossa BRASILIDADE. // Não me lembro deste. O últ. filme c/ japa q vi foi reprise do "Hiroshima Mon Amour".Sou mais chegada à cultura chinesa. E olha que meu irmão viveu em Tóquio por 5 anos! // Bjj

09/11/2009 14:08 TS
eucantodeolho.nafoto.net






Que surpresa! Seu blog "trocou de roupa"! É sempre bom mexer no lay-out. O difícil é achar tempo pra isso, não é? A propósito, o tempo é um tema inesgotável (o que não deixa de ser um paradoxo, já que o nosso tempo é limitado!). Acho mesmo que a grande questão humana é essa: a finitude e o tempo. Quem quer que toque nesse assunto vai entrar necessariamente em um terreno delicadíssimo. Mas o que eu queria comentar não era isso: queria dizer que você me capturou na primeira frase, ao falar da necessidade do descondicionamento do olhar do espectador. Acertou na mosca, Ed! Ao ver o mundo pelos olhos de uma cultura diametralmente oposta à nossa, podemos tentar lançar um olhar diferente sobre nós mesmos e sobre a nossa cultura. Graaaande ED! Beijo!

09/11/2009 11:45 Lygia
http://lygianery.nafoto.net/






OBRIGADO ZINA! Com o layout que você criou, deu um novo astral para o blog. E claro, o próximo post é seu! :) Bjos.

08/11/2009 23:59 Ed







Vim estrear sua nova sala de cinema...e com este filme melhor ainda... ainda me lembro de quando o vi... uma belíssima dica... um abraço.

08/11/2009 23:50 ZINA
http://naturalmente.nafoto.net






Não conheço esse filme, mais um que esta na minha lista para encontrar para minha coleção. Uma ótima dica, gosto de bons filmes antigo. Abraço e sucesso.

07/11/2009 18:53 Bene
http://vamosnessaminhagente.nafoto.net/






HUAUHAHUAUHAUHAHUAUH relaxa, q eu ando mais desaparecida q vc! ;D

07/11/2009 17:29 All_182
alice_avf@hotmail.com www.alicefalson.fotoblog.uol.com.br






E eu sou distraído ao contrário, sempre ouvi falar dele, e nem me toquei que era ele que fundou o festival internacional de quadrinhos... ;)

07/11/2009 16:04 Fábio
http://fgstudio.fotoblog.uol.com.br






Ozu é um cineasta dedicado ao conflito de gerações. Seus filmes são praticamente um "guia" de usos e costumes da sociedade japonesa e a câmera de frente para os atores extrai até a "alma" dos personagens.

07/11/2009 14:23 Airton
airtonshinto@gmail.com http://www.shintocine.nafoto.net






Vou ver, deve ser daqueles que faz a minha rude cabeça para cinema de hoje. Bela postagem! Abraço

07/11/2009 00:38 tossan
http://klictossan.blogspot.com






Oi Ed , li atentatamente , acredito que seja daqueles filmes que deixama gente "mexida" , acredito não ter visto nada deste diretor.Agradeço a dica.Minha lista já está grande, rsrs, mas as férias tb estão logo aí.Bom final de semana!!! bjs Helô

06/11/2009 13:45 Helô
www.helohandmade.nafoto.net






Oi Ed! passo pra visar que estou com texto novo no meu fotoblog, passe pra conferir .. Abração!

05/11/2009 12:49 Antonio
http://estudiofotografico.nafoto.net






Nesse "é necessário “desacostumar” os olhos" é que está dificuldade, pois acomodados que não gostam de pensar nunca terão oportunidade de verem outras belezas da arte em gera, ouvi bastante comentário elogiosos sobre esse diretor, mas não lembro de ter visto algum filme dele, e me diga uma coisa, o que é blockbusters? Abraço e sucesso.

05/11/2009 07:55







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